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Você nunca quis se sentir especial ?
JoãoP, 18 e carioca (:
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❝ Good people are like candles; they burn themselves up to give others light.

— Turkish Proverb (via undoinqs)
❝ Carrego o peso da lua,
Três paixões mal curadas,
Um saara de páginas,
Essa infinita madrugada.

Paulo Leminski
❝ Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

Carlos Drummond de Andrade (via brazilwonders)

Banho de carícias

 “O tema “amor” é uma insistência minha por perceber que nos espaços ditos de militância o amor é um corpo estranho e não consigo dissociar uma coisa da outra, porque pra manter em pé nossas ideologias e convicções há de ter muito amor, senão a desistência é plena”.

23/06/2014

Por Michel Yakini

Dedicado a Mario Benedetti

Querido: Depois de me ensinar que a solidão é uma forma de amor, quero retribuir a gentileza e te convidar para um banho de carícias. Esse também é uma terapia, mas ao contrário da solidão se firma em encruzilhada, no encontro.

Sei: Você que sempre dá nó nas coisas, vai achar que é lugar comum, mais do mesmo, piegas, mas foi assim que aprendi e assim que vou retribuir.

Sei: Que todo apaixonado fica com carinha de brisa e rindo fora de ordem, o mundo capenga e a gente brincando pelos escombros. Então, um banho de carícias há de nos proteger.

Lá vai: Nossa proteção será firmada três vezes ao dia: no sereno, à tarde e de noitinha. Intercalando um vinho pra fazer verão e no inverno uma brejinha pra brindar a colheita de sorrisos.

É simples. Sabe coisas fáceis?

Antes de começar faça uma fogueirinha com os dedos, daquelas de querer ficar perto, sabe?

Junte: Chama dos olhos, sussurros e abraços (o quanto puder, quanto mais forte melhor). Depois, deguste o sonho com chocolate, gengibre e uma pincelada de doce de leite.

Não estranhe, os anjos vão se aproximar pra saber se está tudo bem, oferecer mais um tanto de luz, conforto e gentilezas.

Se fizermos direitinho, poderemos caminhar em fantasias, vigiar a vida dos miúdos na sombra do limoeiro e saber como é perigoso envelhecer com fraqueza nos olhos.

A cura está trançada no tempo e não deve ser só de trabalho, mas de trabalho e dispersão, às vezes só um, às vezes só o outro. Pois o tempo vai tá ali, pingando sem pressa de se apressar, sendo surdo às urgências. Num correio de acasos, num correio do tempo.

Se não couber tudo na palma da mão, jogue as gotas pra cima pra chover palavras, assim, a distância ouvirá ouriçando um cuidado mútuo.

A rua trará benção de frutas, temperos e cantorias.  Depois, é só carregar os cheiros pra cozinha e oferecer um punhado generoso na intenção dos amigos. Enquanto eles sorriem, ficaremos invisíveis. Primeiro você e quando me beijar ficarei também. Beijando-acendendo, beijando-apagando como vagalumes de paixão.

Pra firmar, vamos escambar carinhos, caminhos e raízes, afagar as folhagens um do outro. Em sintonia, o clima trará uma névoa de farinha, paçoca, mel, limão e rapadura.

Aí é só dançar, sem culpa, sem temer arrepios. Assentar a poeira e finalizar a semana numa breve despedida.

E que se abra a porteira da vida pra boiada fugir e o açude desaguar. Até a próxima cheia…

O desejo será o guia dos caminhos e o amor irá se esparramar regando a terra na intenção da muda sagrada. E há de banhar novamente nossas carícias em segredo.

Beijo, Beijo e um xêro. Da sua querida.

Michel Yakini é escritor, educador e produtor cultural  www.michelyakini.com

Não precisa 
fazer lista de boas intenções 
para arquivá-las na gaveta. 
Não precisa chorar arrependido 
pelas besteiras consumadas 
nem parvamente acreditar 
que por decreto de esperança 
a partir de janeiro as coisas mudem 
e seja tudo claridade, recompensa, 
justiça entre os homens e as nações, 
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal, 
direitos respeitados, começando 
pelo direito augusto de viver. 

Carlos Drummond de Andrade